Depois de rezar, estudar e vivenciar todos esses dias, desde domingo de ramos até a sexta santa. Os Evangelhos não dizem nada sobre o sábado. Comparando os dois Credos mais familiares da Igreja, o Credo dos Apóstolos e o Credo de Nicéia. O acontecimento – desceu a mansão dos mortos – mencionado no Credo dos Apóstolos é omitido no Credo de Nicéia. Harrowing é uma antiga palavra inglesa que quer dizer angustiante, doloroso, não é o local de punição eterna cristã e sim o Sheol j...udaico ou o Hades grego, o local de não existência pós vida. A primeira ação, é que Jesus teve que batizar todos aqueles santos e santas no Sheol, no Hades antes de entrarem no céu com ele. Um exemplo está na Epístola dos Apóstolos (Epístula Apostolorum), um documento de meados do século II. O próprio Jesus fala: “Por isso desci e falei com Abraão, Isaac e Jacó , com os pais de vocês, os profetas, e levei a eles a notícia de que podem vir do resto que está embaixo para o céu, e lhes dei a mão direita do batismo da vida, da absolvição e do perdão por todas as maldades assim como dei a vocês, e de agora em diante também para os que acreditarem em mim”. Esta grande “Misericórdia” de Deus, já havia começado, esse era um esforço colaborativo. Não era como poderia ser imaginado, um clarão de luz divina, e sim um processo interativo entre a divindade e a humanidade, uma operação conjunta entre Deus e nós. Não somos nós sem Deus, nem Deus sem nós. Não é que nós esperemos por Deus, e sim que Deus espera por nós. Por isso de um extremo ao outro do evangelho de Marcos, Jesus não viaja sozinho, mas sempre com seus apóstolos que representam todos nós. The Harrowing of Hell, retratado nas Petites Heures de Jean de Berry , manuscrito iluminado do século XIV .
segunda-feira, 24 de abril de 2017
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Não aconteceu exatamente assim
Uma etiologia é uma história que explica a causa ou a
origem de um determinado fenômeno, uma peça cultural ou costume social, uma
circunstância biológica, até mesmo uma formação geológica – a palavra grega
para causa é “aitia”, que também está na palavra etiologia. Ela não é histórica
no sentido moderno de um evento que realmente aconteceu no passado. Ela é,
preferencialmente, uma história que presta contas, oferecendo alguma explicação
das condições e circunstâncias presentes, baseadas em causas passadas. A antiga
Escrita da História, que tenta prestar contas do passado, era, na verdade,
etiologia.
A história de Adão, de Eva e do Jardim do Éden é um dos
melhores exemplos de etiologia na Bíblia. No primeiro capítulo do Gênesis, os
seres humanos são os últimos a serem criados, após as plantas e os animais. Em
contraste, na história de Adão e Eva, foi criado primeiro o homem, em seguida
um jardim que ele poderia habitar depois os animais, para que pudessem lhe
servir de companhia e finalmente a mulher, como vemos nesta lista comparativa:
Gn 1,1-2,3
Gn 2,4b-3,24
Primeiro dia – Luz o
homem
Segundo dia – Firmamento (Céu) o jardim
Terceiro dia – Mares e terra seca os animais
Quarto dia – Sol, Lua e estrelas a mulher
Quinto dia – Aves e peixes
Sexto dia – animais terrestres e seres humanos
Sétimo dia – Shabbat
Portanto, foram colocadas juntas duas versões do mesmo
evento – a criação. Esse tipo de justaposição é uma tradição comum, também
encontrada em Herótodo (484 a.C a 425 a.C) e em outros historiadores gregos.
E a natureza simbólica da história deve ter ficado clara
para o seu público original por causa do nome dos personagens. Adão e Eva não
eram nomes próprios na antiga Israel. Esses nomes não ocorrem em nenhum outro
lugar da Bíblia, em nenhum outro personagem. (‘ãdãm é uma palavra hebraica para
homem ou humano; Eva do hebraico hawwãh está relacionada com a palavra que
designa vida). Os nomes são um sinal para o leitor de que Adão é um símbolo
para os seres humanos em geral e Eva representa o sexo feminino – a fonte da
vida.
A história de Adão e Eva é uma história sobre origens.
Ela menciona a criação do mundo, mas esse não é o seu foco real. Ela se refere
a criação da terra e dos céus por Iahweh e a descreve em detalhes. A descrição
posterior indica que, de alguma forma, a terra já existia. A história enfoca,
ao invés disso, a criação dos seres humanos – primeiro o homem depois a mulher,
como sua companheira, depois dos animais terem sido criados, mas terem falhado
em satisfazer a necessidade de companhia do homem. A história oferece,
portanto, explicações para a origem de gêneros e de seus respectivos papéis na
sociedade. E também explica a atração entre homens e mulheres: eles são feitos
da mesma substância, o mesmo “osso” e “carne”, diferente dos animais. Essa atração
está implícito a origem do matrimônio: Por esta razão o homem deixou seu pai e
sua mãe e permaneceu com sua esposa e eles tornaram-se uma só carne (Gn2,24). A
história conta porque os dois gêneros ficaram envergonhados de estarem nus na
presença um do outro e porque os seres humanos, únicos na criação, vestiram-se;
Em um nível mais profundo, a história sugere uma conexão entre sexualidade e
conhecimento, que relembra a puberdade. Na história bíblica, o homem e a mulher
tornaram-se conscientes de sua nudez quando comem o fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal, assim com o desenvolvimento da consciência e do
senso de responsabilidade moral no adolescente coincide com a maturidade dos
órgãos sexuais e da libido.
A maldição do final da história aponta e pressupõe
diferentes funções sociais no contexto israelita antigo. A subordinação das
mulheres nessa história parece ser disseminada, a despeito das tentativas
“politicamente corretas” de minimizar o fato. A mulher foi criada em segundo
lugar, foi feita a partir do homem, para servir-lhe de companhia. Ela foi enganada
pela serpente e que levou o homem à perdição. A hierarquia social já existia
antes do fruto proibido ter sido comido.
Se ela for lida como evento real, como ocorreu no passado
e que continua como uma influência nos dia de hoje, então a subordinação da
mulher torna-se uma norma – a ordem do universo sancionada por Deus. Se, por
outro lado, a história é entendida como etiologia, então, o seu lugar no
contexto cultural e social na antiga sociedade é óbvio. Ela é simplesmente uma tradição emprestada da
história israelita antiga, em um esforço para explicar o status quo doméstico
daquela sociedade particular, Acima de tudo, essas etiologias da história são
teológicas. Elas explicam a separação de Deus e a mortalidade humana como
resultado do pecado. Em resumo, dentro do gênero da antiga Escrita da História,
as funções da história dos capítulos 2 e 3 do Gênesis são o relato da criação
do mundo, mas essa não é só a intenção fundamental. Também, ela serve para
explicar o contexto da estrutura doméstica da antiga Israel. Está implícito
neste relato o reconhecimento dos historiadores de que os personagens são
símbolos e não pessoas reais e que os episódios não são eventos reais do passado.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Pentecostes
"Vão e façam com que todos os povos se tornem
meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e
ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com
vocês todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,19-20).
Trata-se, portanto de um grande marco para a
história da Igreja e de todos nós. Pentecostes era dentro do judaísmo, a festa
celebrada 50 dias após a Páscoa. Tratava-se da festa da colheita, na primavera,
da cevada e trigo. Mais tarde passou a ser a festa da Lei no
Sinai e a constituição do povo libertado do Egito como povo de Deus. Lucas não
vê em Pentecostes a nova Aliança formada pelos cristãos, mas sim a conclusão da
antiga Aliança, inaugurando os tempos messiânicos, último período da história
de Israel. Para Lucas, o tempo de espera terminou em Pentecostes. Os Cristãos
são a continuidade do povo hebreu. Por isso, não há nova, mas sim cumprimento
da antiga Aliança com Israel através de Jesus Cristo.
O texto sobre
Pentecostes encontra-se em Atos 2,1-13. O povo entende as palavras dos
Apóstolos cada qual falando em sua própria língua. O fenômeno está na audição e
não na emissão das palavras. Também a multidão presente parece estar contida
fora da casa. Os Apóstolos falam como profetas. Lucas utiliza
a língua em dois sentidos: órgão da boca e linguagem: As línguas (órgão) produzem
línguas (linguagem).
A presença do
Espírito de Deus realiza um grande milagre: transcende as barreiras da
linguagem, sem eliminar as diferenças culturais. Cada pessoa recebe o dom de
ouvir e entender o evangelho em toda terra. A dispersão provoca o anúncio da
Palavra: “Os que haviam sido dispersos iam de lugar em lugar, anunciando a
palavra da Boa Nova” ( At 2,11).
A comunidade
vive uma nova experiência: a sua linguagem pode diferir nos sons, mas não nos
sentimentos e nos ideais.
Muitas vezes
se faz uma oposição entre Pentecostes e Babel narrada em Gênesis 11,1-9.
Entretanto, não se trata de oposição, mas de confirmação. Em Babel há um
projeto de unificação de costumes, língua, cultura, uma verdadeira
globalização, diríamos hoje. A intervenção de Deus é justamente para evitar
esta uniformização, pois todos são dispersos e desta forma suas culturas e
identidades preservadas. Deus quer a unidade nele, mas cada um mantendo sua
identidade.
É provável que
a redação final do relato da Torre de Babel seja do exílio da Babilônia ou
mesmo do pós-exílio, entre 550 a.C. e 400 a.C. É um conto que ironiza a queda
do Império Babilônico. O nome Bab-il, em acádico, significa – Porta de Deus. A
intenção desta torre era ligar o céu e da terra, ser um símbolo sagrado. No
topo dessa torre estava localizado o santuário de Marduk, a divindade suprema
da Babilônia. Diante das grandes construções e da prepotência dos dominadores,
os judeus começaram a refletir sobre suas tradições e, provavelmente, nomearam
a torre principal de Babel, associando com o termo hebraico balal, que
significa confundir. Na realidade parecem dizer: Porta de Deus coisa nenhuma, é
uma grande confusão.
Em
Pentecostes, os Apóstolos falam e todos entendem em suas próprias línguas, ou
seja, também há uma preservação da cultura e identidade. Não existe
uniformidade, globalização de cultura para o entendimento da mensagem do
Evangelho, pois trata-se sem dúvidas da mensagem do Amor. Esta mensagem é
compreendida por todos os povos!!!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
A sabedoria do Livro de Jó
Há milhares de casos, como o de Jó, em cada época e em cada povo, onde quem tinha, agora já não tem. Alguns ficam sem emprego, outros sem terra, outros sem bens, outros sem absolutamente nada. O despojamento da condição material de vida é vista como um despojamento da dignidade existencial do ser e a declaração da negação à sua condição de vida. O livro mostra como essa experiência tem sabor sapiencial, repetitivo e atual. A história de Jó, ontem, é um acontecer nos dias de hoje. A sabedoria se manifesta em três momentos da vida do personagem bíblico:
a) Uma situação bastante privilegiada e cômoda.
Os bens que ele possuía eram fruto do seu trabalho e da proteção de Deus O número ( 7 significa plenitude, perfeição) de filhos homens corresponde ao número de ovelhas multiplicada por mil, e o número das filhas ( 3 que significa equilíbrio) será relacionado com os dos camelos, que é de três mil (Jó 1,2-3) Jó é um homem honesto e justo, mas seus filhos estariam no mesmo caminho? Seus filhos faziam festanças de vários dias, que não eram nem religiosas nem de casamentos. As festas que tivessem o sentido de aproveitamento da vida, para gozar os bens acumulados como fruto da exploração dos pobres, tinham sempre o caráter de pecado. Jó tinha horror das festas dos filhos e as considerava abomináveis. Sabia, que ontem como hoje, esses banquetes envolvem a prostituição, a exploração dos pobres e dinheiro da iniquidade (palavra que aparece 177 no AT que significa a negação da lei).
b) Uma desgraça, como provocação de Satã e a destruição dos bens, da família, dos amigos. Jó revela no seu sofrimento, o paradoxo de quem ama a vida e o bem e, não obstante as contradições, confia tanto em Deus que Ele vem ao seu encontro (Jó 38-42) Isto nos leva a uma reflexão sobre o pensamento teológico da época:
Uma teologia do sofrimento – o sonho mais profundo de todo ser é a felicidade, que muita vezes é vista sob o prisma da saciedade, o ter tudo o que se precisa, tudo o que se quer. Um arquétipo sociológico da felicidade é ter certa abundância de recursos materiais, facilidades econômicas e boas relações com pessoas de poder. A prosperidade era considerada, nas culturas antigas como sinal externo da benção do seu protetor, da divindade ou do poder do alto (Dt 30,10-20) A privação era considerada como castigo, como conflito e clima ruim entre o humano e a divindade. (Ex 20,4-6; Jo 9,2-3) Para consolar surge a teologia do sofrimento: que sofrer é vontade de Deus.
E uma teologia das retribuições – na linguagem popular, esta crença se estabelece num provérbio: Quem aqui faz aqui paga! Na realidade, esta expressão não tem fundamento prático nenhum, pois quem paga quase sempre paga por causa da maldade dos outros. É o caso de Jó: ele que é justo, paga por causa do pecado dos outros. O grande mal da teologia da retribuição foi ela ter sido manipulada pela ideologia dominadora que pregava a prosperidade como benção e a pobreza como maldição e castigo. Os que prosperavam, mesmo às custas dos empobrecidos e dos subjugados à escravidão, estes estavam salvos e todos os outros condenados.
c) Uma restauração como processo de evolução, amadurecimento e ampliação da compreensão da vida. Neste momento, Jó tem uma visão mais precisa de Deus, do outro e dele mesmo. Para comprovar que Deus é amor, e o mal não procede dele, na conclusão do livro, ele repreende duramente os adversários de Jó, porque eles haviam feito um discurso falso a respeito de Deus.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Ícone da Santíssima Trindade de Andrej Rublev
O ícone da Santíssima Trindade foi "escrito" pelo santo monge russo Andrej Rublev. Ele nasceu por volta de 1365 e morreu por volta de 1430.
Na disposição dos “anjos celestes”, vemos da esquerda pra direita o Pai, com a túnica dourada, lembrando-nos sua realeza. Sua mão direita se ergue num sinal de benção ao o Filho (o do meio) e ao Espírito (o da direita) que estão totalmente voltados para o Pai numa posição de prontidão e obediência à Sua Vontade. A túnica do filho em grande parte é de cor escarlate, fazendo referência à Sua humanidade: Aquele que mais se revelou. O altar nos recorda o mundo, o lugar do sacrifício. O filho toca o altar com dois dedos - duas dimensões, a humana e a divina. O Espírito que também se revela, porém menos que o filho, toca o altar com apenas um dedo, apenas na dimensão divina.
Na disposição dos “anjos celestes”, vemos da esquerda pra direita o Pai, com a túnica dourada, lembrando-nos sua realeza. Sua mão direita se ergue num sinal de benção ao o Filho (o do meio) e ao Espírito (o da direita) que estão totalmente voltados para o Pai numa posição de prontidão e obediência à Sua Vontade. A túnica do filho em grande parte é de cor escarlate, fazendo referência à Sua humanidade: Aquele que mais se revelou. O altar nos recorda o mundo, o lugar do sacrifício. O filho toca o altar com dois dedos - duas dimensões, a humana e a divina. O Espírito que também se revela, porém menos que o filho, toca o altar com apenas um dedo, apenas na dimensão divina.
Desapego alegre das coisas da Terra
Somos da terra, e nossas “coisas da terra” estão bem misturadas: tristezas, alegria, sofrimento, felicidade, generosidade, fuga, amor, paz, guerra...
A física a astronomia nos ensinaram que a Terra está envolvida pelo céu, que o universo não gira em volta da Terra, mas que ela gira em volta do Sol.
O que é verdade na física é também verdade no campo do espírito. Nossa alma não é o centro do mundo, não é o princípio e o fim de tudo. Ela gira em relação a um centro de gravidade: seu Sol é a luz do olhar de Deus, o céu que a envolve é o amor do Pai.
A Terra teve dificuldade em aceitar o que dizia Galileu: ela não é o centro do mundo, mas depende de outro. Temos dificuldade em compreender que nós não somos o centro de nós mesmos. Nosso equilíbrio tem necessidade de outro.
Temos necessidade de nos desprender da atração terrestre. Para experimentar a alegria, não podemos fazer das coisas terrestres o princípio e o fim de nossa existência.
Existe algo a mais que nós mesmos, que nossos sentimentos, que nossas resistências, que nossas ambições, que nossas decepções, que nossas tristezas e nossas obrigações. Há mais do que tudo isto. Há tudo isto, certo, não se trata de nega-lo, mas há algo mais.
Desprender-se deste sentimento, que temos muitas vezes, desta certeza segundo a qual “as faltas, as dificuldades, as provações, os sofrimentos, as tentações, a saúde, as fraquezas” têm a última palavra.
O horror seria se as tristezas da terra fossem o único horizonte, o horizonte finito da terra. O desespero seria se vivêssemos somente no térreo, sem acreditar que existe um andar em cima. O andar da infinito Amor.
Acreditar em Deus é crer que podemos nos desapegar alegremente das coisas da terra.
O que a bíblia diz sobre Maria Madalena
Maria Madalena é uma das personagens bíblicas mais conhecidas. É a mulher mais citada no Segundo Testamento (doze vezes); mas o que a faz famosa é a crença de que ela teria sido uma prostituta que foi transformada pela palavra de Cristo: a famosa Madalena Arrependida, exemplo de arrependimento e transformação para os pecadores.
As fontes que temos sobre a vida de Maria Madalena são os Evangelhos canônicos (reconhecidos como inspirados por Deus) e os Evangelhos apócrifos [1]. Estes últimos não são confiáveis como fonte de informação verídica sobre Madalena, pois foram escritos bem depois da época em que ela viveu, além de ser produto das seitas heréticas gnósticas [2], as quais distorciam os ensinamentos de Jesus. O curioso é que em nenhum lugar da Bíblia (e até mesmo nos evangelhos apócrifos) se diz que Maria Madalena fosse prostituta ou a mulher apanhada em adultério do oitavo capítulo de João. No entanto como até no meio evangélico é corrente pensar em Maria como ex-prostituta, faz-se necessário sabermos o que realmente a Bíblia nos diz sobre essa discípula de Cristo.
Maria Madalena é assim chamada por ser de Magdala, aldeia de pescadores que ficava na costa oeste do mar da Galiléia, próxima a cidade de Tiberíades.O Segundo Testamento nos relata que Cristo expulsou dela sete demônios (Marcos 16.9; Lucas 8.2) e depois ela se tornou uma das mulheres que acompanharam e seguiram a Jesus (Lucas 8.2-3). Junto com outras mulheres, permaneceu aos pés da cruz (Marcos 15.40; Mateus 27.56; Lucas 23.49; João 19.25) e assistiu ao sepultamento do Mestre (Mateus 27.59-69; Marcos 15.46-47; Lucas 23.55,56). Deixando passar o sábado, que era dia de descanso, Maria vai, na madrugada de domingo, aplicar especiarias no corpo de Jesus, conforme o costume, e se torna a primeira testemunha da ressurreição de Cristo (Mateus 28.1-8; Marcos 15.1-19; Lucas 24.1-10; João 20.1-18).
sábado, 2 de janeiro de 2016
O nascimento de Jesus – Comentário do Papa Emérito Bento XVI
“Enquanto lá estavam (em Belém), completaram-se os dias do
parto, e ela deu a luz o seu filho primogênito, envolveu-o com faixas e
reclinou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala.” (Lucas2,
6-7)
Começamos o nosso comentário a partir das últimas palavras
desta frase: por não haver lugar para eles na sala. Esta afirmação tem
paralelismo de um profundo conteúdo em João 1,11: ”Veio para o que era seu, e
os seus não o receberam. ”Para o Salvador do mundo, aquele para quem todas as
coisas foram criadas” (Colossenses 1,16), não há lugar. “As raposas têm tocas e
as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.”
(Mateus 8,20). “Aquele que foi crucificado fora da porta da cidade.” (Hebreus
13,12) também nasceu fora da porta da cidade.
Tudo isso nos deve fazer pensar, nos deve recordar a
inversão de valores que se verifica na figura de Jesus Cristo, na sua mensagem.
Desde seu nascimento, Jesus não pertence aquele ambiente que, aos olhos do
mundo, é importante e poderoso; contudo é precisamente esse homem irrelevante e
sem poder que se revela como o verdadeiramente Poderoso, como Aquele de quem,
no final das contas, tudo depende. Por conseguinte, faz parte do tornar-se
cristão este sair do âmbito daquilo que todos pensam e querem, sair dos
critérios predominantes, para entrar na luz da verdade sobre o nosso ser, e com
essa luz, alcançar o justo caminho
"Quem conhece e segue a Jesus desfruta da bondade de Deus"
Sempre que o cristianismo ignora a Jesus ou o esquece, corre o risco de se afastar do Deus Verdadeiro e de substituí-lo por imagens distorcidas que desfiguram o rosto e nos impedem de colaborar em seu projeto de construir um novo mundo mais livre, justo e fraterno. Por isso é tão urgente recuperar a humanidade de Jesus.
Não basta confessar a Jesus Cristo de forma teórica ou doutrinal. Todos nós precisamos conhecer Jesus desde uma aproximação mais concreta e vital dos evangelhos, sintonizar com o seu projeto, deixar-nos animar por seu espírito, entrar na sua relação com o Pai e segui-lo de perto dia a dia. Esta é a tarefa apaixonante de uma comunidade que vive hoje purificando sua fé. Quem conhece e segue a Jesus vai gostar cada vez mais da bondade insondável de Deus.
2° Domingo depois do Natal Jo 1,1-18– José Antônio Pagola
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
A polêmica da identidade do Evangelista João
Alguns exegetas sustentam a tese de que o evangelista se
coloca como testemunha ocular de todos os relatos e que ele era o mesmo
discípulo que Jesus amava (Jo 21,20-24). Jesus tinha três amigos mais Íntimos:
Pedro, Tiago e João. Tiago morreu no ano de 44 d.C., decapitado por ordem de
Herodes Antipas (At 12,2), e Pedro aparece sempre em contraste com o discípulo
amado. Logo dos três, sobra o filho de Zebedeu, irmão de Tiago, chamado João.
Esta opinião é bastante polêmica, por que João, irmão de Tiago não poderia ser
o discípulo que Jesus amava, pois o próprio evangelista ressalta que esse
discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote (Jo 18, 16), e, com isso descartam-se
as possibilidades do João Apóstolo ocupar o lugar do discípulo amado. João, o
filho de Zebedeu, jamais poderia ter importância e autoridade de entrar na sala
da inquisição e, ainda mais, fazer Pedro entrar na sala, sem temer ser
identificado como discípulo de Jesus.
Quem é o Evangelista Lucas?
Encontramos o autor do terceiro evangelho nos escritos de
Paulo: Colossenses 4,14; Segunda carta a Timóteo 4,11 e Filemon 24. Lucas seria
então, médico, companheiro de Paulo em suas viagens e que esteve preso ao seu
lado durante as perseguições. Mas isto não é ponto pacífico e muito se discute
sobre esta autoria. Entretanto, pelo estilo e conteúdo do autor, se pode
afirmar que ele é um cristão que acreditou muito no valor das comunidades, se
entusiasmando pela pessoa e projeto de Jesus, mesmo não tendo conhecido Jesus
pessoalmente. Através de seus escritos, pode-se perceber que trata-se de uma
pessoa culta e sensível, possuindo grande conhecimento. Sua maneira de escrever
é elegante e clássica.
Quem é o evangelista Mateus?
Cobrador de impostos na região de Cafarnaum, o filho de
Alfeu, se autodenomina Mateus (Mt 9,9) enquanto Marcos (Mc 2,13-14) e Lucas (Lc
5, 27-28) o chamam de Levi. Mateus poderia ser uma forma abreviada de Mathêtês
(discípulo). Segundo o Bispo grego Irineu (130 a 220) no final do primeiro
século, Mateus seria um discípulo e não o apóstolo Levi. Este fundou uma
comunidade, e esta absorveu perfeitamente a forma de ensinar . Outros
testemunhos vem de Eusébio de Cesareia (falecido em 340)e de Pápias, Bispo de
Hierópolis que afirmava ter convivido com um ancião que havia colecionado
oráculos de Jesus em língua hebraica.
Quem é o Evangelista Marcos?
Em At 12,12: Em sua casa costumava se reunir a comunidade.
Ali Pedro se refugia após sair da prisão. E em At 12,25;13,5: Acompanha Barnabé
e Paulo na primeira viagem missionária junto às comunidades. At 13,13: Marcos
regressa para Jerusalém, abandonando a viagem. Já em AT 15,37-39: Marcos torna-se
motivo de desentendimento entre Paulo e Barnabé, dividindo a dupla. Paulo parte
com Silas para a Síria e Barnabé com Marcos para Chipre. Col 4,10: Marcos é
primo de Barnabé e recebe a acolhida de Paulo junto à comunidade de Colossos. 1
Pe 5,13: Marcos encontra-se em Roma com Pedro. 2 Tim 4,11: Paulo escreve para
Timóteo trazer Marcos para Roma a fim de ajudá-lo em seu ministério. Aqui
parece que a divergência havia terminado. E em Marcos 14,51: relato de um
pormenor que aparece apenas no Evangelho de Marcos, o que leva a crer que
provavelmente trata-se do próprio Marcos? Por estas indicações, percebemos que
se trata de um cristão que tinha uma grande participação na vida das
comunidades primitivas. Além de pertencer a uma família onde abrigava uma Igreja
doméstica. Leia e conheça, quem é Marcos!
Um batismo de conversão
A pregação de João Batista anunciava um batismo de conversão
para o perdão dos pecados. João Batista adulto aparece em Lucas no 15º ano do
governo de Tibério, imperador de Roma. Tibério foi imperador de 14 a 37 depois
de Cristo. No ano 63 antes de Cristo, o império romano tinha invadido a
Palestina, impondo ao povo uma dura escravidão. As revoltas populares se
sucediam, uma depois da outra, sobretudo na Galileia, mas foram duramente
reprimidas. De 4 antes a 6 depois de Cristo, durante o governo de Arquelau, a
violência estourou na Judeia. Este fato levou José e Maria a voltarem para
Nazaré na Galileia e não para Belém na Judeia (Mt 2,22). No ano 6, Arquelau foi
deposto e a Judeia foi transformada numa província romana com procurador
diretamente nomeado pelo imperador de Roma. Pilatos foi um destes procuradores.
Governou do ano de 26 a 36. Esta mudança no regime político trouxe certa calma,
mas as revoltas esporádicas, como aquela de Barrabás (Mc 15,7) e a imediata
repressão romana (Lc 13,1), lembravam a extrema gravidade da situação. Bastava
alguém soprar na brasa e o incêndio da revolta explodia! A calma era apenas uma
trégua, uma ocasião oferecida pela história, por Deus, para o povo fazer uma
revisão do rumo da caminhada e, assim, evitar a destruição total. Pois Roma era
cruel. Em caso de uma revolta, viria e acabaria com o Templo e a Nação. É nesse
contexto que, em torno do ano 28 depois de Cristo, João Batista aparece
anunciando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.
O significado da manjedoura
“Maria colocou o menino recém-nascido numa manjedoura.”
(Lucas 2,7) Santo Agostinho interpretou o significado da manjedoura com um
pensamento que encerra uma verdade profunda. A manjedoura é o lugar onde os
animais encontram o seu alimento. Agora, porém, dorme na manjedoura o
verdadeiro pão descido do céu, o verdadeiro alimento de que o homem necessita
para ser pessoa humana. É o alimento que dá ao homem a vida verdadeira: a vida
eterna. Dessa forma, a manjedoura torna-se uma alusão à mesa de Deus, para a qual
é convidado o homem a fim de receber o pão de Deus. Como se disse, a manjedoura
faz pensar nos animais que encontram nela o seu alimento. E em Isaías 1,3: “O
boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura do seu Senhor, mas Israel é
incapaz de conhecer, o meu povo não pode entender.”
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
O 25 de dezembro
Sobre o dia do nascimento, a bíblia é
clara:
não diz nada. No início, o cristianismo não tinha uma data exata, comunidades
diferentes celebravam em datas diferentes. O 25 de dezembro acabou adotado, no
século 4, porque nesta data os romanos já comemoravam uma festa importante, a
“Natalis Solis Invicti”, ou Nascimento do Sol Invencível. Era uma comemoração
pelo solstício de inverno, o dia mais curto do ano. É que, depois do solstício,
os dias vão ficando cada vez mais longos. O solstício de inverno era celebrado
por várias culturas. O círculo de pedras de Stonehenge na Inglaterra, por
exemplo, já era palco de festas assim a três mil anos antes de Cristo nascer.
Assim dá para dizer que o monumento pré histórico inglês é, no fundo, uma enorme
árvore de Natal.Os três reis magos não eram reis
Nem eram três, está no Evangelho de Mateus 2, 1-12, e só nele. Alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntam: Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Herodes - que não era judeu mas Idumeu e foi colocado como Rei dos Judeus pelos Romanos - consulta os estudiosos das escrituras sagradas (Mq 5,1) e informa aos magos que vai acontecer na cidade de Belém - aproximadamente 10 km de lá - seguem a estrela e encontram a Sagrada Família. Então oferecem presentes muito significativos para os futuros fugitivos de um tirano sanguinário. O incenso, que é usado até hoje, para levar a Deus nossas orações, suplicas e esperanças. O perfume de Mirra, que tem propriedades antissépticas, muito útil num bebê recém nascido e ouro, tão necessário para fuga para o Egito. Sábios esses magos do Oriente, Gaspar, Melquior e Baltazar são nomes que surgiram em textos do século 5. O mais provável e que esses personagens de Mateus sejam sacerdotes do zoroastrismo, uma religião persa ligada à astrologia – daí a Estrela de Belém e o vindos do Oriente. Há algo de inusitado do ponto de vista da atual geopolítica, a Pérsia é o atual Irã, então nos nossos presépios estão três bondosos muçulmanos.
Os capítulos iniciais do Gênesis são misteriosos
Representados por aquele primeiro casal humano, num instante de fraqueza nós nos afastamos do Amor, esquecemos o Amor. Então o Amor se retrai, e põe uma espada de fogo na entrada do Paraíso – para lembrar a gravidade das nossas escolhas. O fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal – o que isso pode significar? Entre outras coisas, a multiplicidade, o mundo como nós vemos diariamente, onde o bem e o mal andam misturados de tal forma que uma confusa tristeza prejudica, ou impede a visão do bem. Comendo aquele fruto proibido, assumimos voluntariamente esse conhecimento fragmentado, e continuamos a fazer isso quando oscilamos entre coisas que nos aproximam de Deus e coisas que nos afastam dele. É preciso, com grande esforço, superar essa visão fragmentada, reencontrar o olhar original, a visão do paraíso, a que é capaz de enxergar o verdadeiro Ser, que não confunde a realidade com as aparências.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Para entender o futuro.

Vivemos numa sociedade pós-industrial, midiática, uma nova etapa do capitalismo centrado na mídia. A sociedade é reestruturada em nome das novas tecnologias, produzindo novos ambientes, que passam a ser configurados de acordo com determinados aspectos, denominados pelo comunicólogo alemão Harry Pross ( La violência de luz símbolos sociales. Barcelona: Anthropos - 1989) de ambientes midiáticos.
É um contexto marcado pela tirania das imagens e pela submissão alienante ao império da mídia, no qual a religião se transformou em mercadoria de consumo ou bens de salvação, na feliz expressão de Pierre Bourdieu (A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva. 2005), que cada um busca na medida dos seus gostos e das suas necessidades.
E qual é a contribuição especifica que nossa missão de educação transformadora pode dar a este contexto de nosso tempo?
Temos que iniciar novas habilidades e competências interativas. Com essas habilidades e competências com as novas mídias ofereceremos à juventude maior flexibilidade, criatividade e outros meios de aprender, se profissionalizar e por que não evangelizar ? Criando em nossas comunidades e colégios, junto com Irmãs amigos e alunos, a construção de uma cultura nova de relacionamento e colaboração.
Uma pesquisa realizada por Don Tapscott (A hora da geração digital São Paulo: Agir.2010) com 10 mil pessoas que cresceram na era digital revelou que a nova geração de profissionais está mudando os ambientes de trabalho, ao qual trazem um estilo colaborativo, exigência de qualidade, flexibilidade, senso empreendedor, sentido de inovação e obtenção de melhores resultados. Não são estes alguns dos valores que buscamos em nossa missão ?
Esta geração multifuncional, em que os jovens falam ao telefone, trocam mensagens de texto, baixam músicas, fazem upload de vídeos, assistem a um filme em uma tela de duas polegadas e navegam pelo Facebook ou Twitter ― tudo ao mesmo tempo.São donos de uma cabeça aberta, ávidos por aprender e interagir com colegas na escola e no trabalho, colaborando para o seu crescimento. Não conseguem conviver com nossa catequese medieval, com nosso ensino cuja modernidade: é a troca do giz pelo pilot. Precisamos fazer pesquisas sobre seus hábitos e padrões de consumo e relacionamento para fazer um mapeamento sobre como a internet revolucionou as formas de se pensar, interagir, trabalhar e se relacionar, “Se você entender a geração internet entenderá o futuro, afirma Tapscott.
Que diálogo temos ou devemos ter com os jovens ? Como integra-los (acolhê-los em sua diferença) sem assimilá-los (torná-los semelhantes a nós) ?
Lendo Leonardo Boff : Como tirar os pobres-oprimidos da pobreza, não na direção da riqueza, mas da justiça? Esta é uma questão prática de ordem pedagógico-política. Identificamos três estratégias.A primeira interpreta o pobre como aquele que não tem. Então faz-se mister mobilizar aqueles que têm para aliviar a vida dos que não têm. Desta estratégia nasceu o assistencialismo e o paternalismo. Ajuda mas mantém o pobre dependente e à mercê da boa vontade dos outros. A solução tem respiração curta.A segunda interpreta o pobre como aquele que tem: tem força de trabalho, capacidade de aprendizado e habilidades. Importa formá-lo para que possa ingressar no mercado de trabalho e ganhar sua vida. Enquandra o pobre no processo produtivo, mas sem fazer uma crítica ao sistema social que explora sua força de trabalho e devasta a natureza, criando uma sociedade de desiguais, portanto, injusta. É uma solução que ajuda favorece o pobre, mas é insuficiente porque o mantém refém do sistema, sem libertá-lo de verdade.A terceira interpreta o pobre como aquele que tem força histórica mas força para mudar o sistema de dominação por um outro mais igualitário, participativo e justo, onde o amor não seja tão difícil. Esta estratégia é libertária. Faz do pobre sujeito de sua libertação. Paulo Freire, assumiu e ajudou a formular esta estratégia. É uma solução adequada à superação da pobreza. 76% dos jovens da rede municipal de ensino fundamental do Rio de Janeiro passam todos os dias pela banda larga e apenas 52% de seus professores utilizam a internet.
Falando aos participantes da assembleia plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais (CPCS), no Vaticano, o Papa Bento XVI disse que a cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e escutar uma linguagem simbólica que fale de transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar os elementos da cultura e do ambiente do seu tempo: as ovelhas, os campos, o banquete, as sementes e assim por diante. Hoje, somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ajudar a falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.
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