quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O significado da manjedoura


“Maria colocou o menino recém-nascido numa manjedoura.” (Lucas 2,7) Santo Agostinho interpretou o significado da manjedoura com um pensamento que encerra uma verdade profunda. A manjedoura é o lugar onde os animais encontram o seu alimento. Agora, porém, dorme na manjedoura o verdadeiro pão descido do céu, o verdadeiro alimento de que o homem necessita para ser pessoa humana. É o alimento que dá ao homem a vida verdadeira: a vida eterna. Dessa forma, a manjedoura torna-se uma alusão à mesa de Deus, para a qual é convidado o homem a fim de receber o pão de Deus. Como se disse, a manjedoura faz pensar nos animais que encontram nela o seu alimento. E em Isaías 1,3: “O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura do seu Senhor, mas Israel é incapaz de conhecer, o meu povo não pode entender.”

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O 25 de dezembro


Sobre o dia do nascimento, a bíblia é 
clara: não diz nada. No início, o cristianismo não tinha uma data exata, comunidades diferentes celebravam em datas diferentes. O 25 de dezembro acabou adotado, no século 4, porque nesta data os romanos já comemoravam uma festa importante, a “Natalis Solis Invicti”, ou Nascimento do Sol Invencível. Era uma comemoração pelo solstício de inverno, o dia mais curto do ano. É que, depois do solstício, os dias vão ficando cada vez mais longos. O solstício de inverno era celebrado por várias culturas. O círculo de pedras de Stonehenge na Inglaterra, por exemplo, já era palco de festas assim a três mil anos antes de Cristo nascer. Assim dá para dizer que o monumento pré histórico inglês é, no fundo, uma enorme árvore de Natal.

Os três reis magos não eram reis


Nem eram três, está no Evangelho de Mateus 2, 1-12, e só nele.  Alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntam: Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer? Herodes - que não era judeu mas Idumeu e foi colocado como Rei dos Judeus pelos Romanos -  consulta os estudiosos das escrituras sagradas (Mq 5,1) e informa aos magos que vai acontecer na cidade de Belém - aproximadamente 10 km de lá - seguem a estrela e encontram a Sagrada Família. Então oferecem presentes muito significativos para os futuros fugitivos de um tirano sanguinário. O incenso, que é usado até hoje, para levar a Deus nossas orações, suplicas e esperanças. O perfume de Mirra, que tem propriedades antissépticas, muito útil num bebê recém nascido e ouro, tão necessário para fuga para o Egito. Sábios esses magos do Oriente, Gaspar, Melquior e Baltazar são nomes que surgiram em textos do século 5. O mais provável e que esses personagens de Mateus sejam sacerdotes do zoroastrismo, uma religião persa ligada à astrologia – daí a Estrela de Belém  e o vindos do Oriente. Há algo de inusitado do ponto de vista da atual geopolítica, a Pérsia é o atual Irã, então nos nossos presépios estão três bondosos muçulmanos.

Os capítulos iniciais do Gênesis são misteriosos




Representados por aquele primeiro casal humano, num instante de fraqueza nós nos afastamos do Amor, esquecemos o Amor. Então o Amor se retrai, e põe uma espada de fogo na entrada do Paraíso – para lembrar a gravidade das nossas escolhas. O fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal – o que isso pode significar? Entre outras coisas, a multiplicidade, o mundo como nós vemos diariamente, onde o bem e o mal andam misturados de tal forma que uma confusa tristeza prejudica, ou impede a visão do bem. Comendo aquele fruto proibido, assumimos voluntariamente esse conhecimento fragmentado, e continuamos a fazer isso quando oscilamos entre coisas que nos aproximam de Deus e coisas que nos afastam dele. É preciso, com grande esforço, superar essa visão fragmentada, reencontrar o olhar original, a visão do paraíso, a que é capaz de enxergar o verdadeiro Ser, que não confunde a realidade com as aparências.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Para entender o futuro.



Vivemos numa sociedade pós-industrial, midiática, uma nova etapa do capitalismo centrado na mídia. A sociedade é reestruturada em nome das novas tecnologias, produzindo novos ambientes, que passam a ser configurados de acordo com determinados aspectos, denominados pelo comunicólogo alemão Harry Pross ( La violência de luz símbolos sociales. Barcelona: Anthropos - 1989) de ambientes midiáticos.
É um contexto marcado pela tirania das imagens e pela submissão alienante ao império da mídia, no qual a religião se transformou em mercadoria de consumo ou bens de salvação, na feliz expressão de Pierre Bourdieu (A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva. 2005), que cada um busca na medida dos seus gostos e das suas necessidades.
E qual é a contribuição especifica que nossa missão de educação transformadora pode dar a este contexto de nosso tempo?
Temos que iniciar novas habilidades e competências interativas. Com essas habilidades e competências com as novas mídias ofereceremos à juventude maior flexibilidade, criatividade e outros meios de aprender, se profissionalizar e por que não evangelizar ? Criando em nossas comunidades e colégios, junto com Irmãs amigos e alunos, a construção de uma cultura nova de relacionamento e colaboração.
Uma pesquisa realizada por Don Tapscott (A hora da geração digital São Paulo: Agir.2010) com 10 mil pessoas que cresceram na era digital revelou que a nova geração de profissionais está mudando os ambientes de trabalho, ao qual trazem um estilo colaborativo, exigência de qualidade, flexibilidade, senso empreendedor, sentido de inovação e obtenção de melhores resultados. Não são estes alguns dos valores que buscamos em nossa missão ?
Esta geração multifuncional, em que os jovens falam ao telefone, trocam mensagens de texto, baixam músicas, fazem upload de vídeos, assistem a um filme em uma tela de duas polegadas e navegam pelo Facebook ou Twitter ― tudo ao mesmo tempo.São donos de uma cabeça aberta, ávidos por aprender e interagir com colegas na escola e no trabalho, colaborando para o seu crescimento. Não conseguem conviver com nossa catequese medieval, com nosso ensino cuja modernidade: é a troca do giz pelo pilot. Precisamos fazer pesquisas sobre seus hábitos e padrões de consumo e relacionamento para fazer um mapeamento sobre como a internet revolucionou as formas de se pensar, interagir, trabalhar e se relacionar, “Se você entender a geração internet entenderá o futuro, afirma Tapscott.
Que diálogo temos ou devemos ter com os jovens ? Como integra-los (acolhê-los em sua diferença) sem assimilá-los (torná-los semelhantes a nós) ?
Lendo Leonardo Boff : Como tirar os pobres-oprimidos da pobreza, não na direção da riqueza, mas da justiça? Esta é uma questão prática de ordem pedagógico-política. Identificamos três estratégias.A primeira interpreta o pobre como aquele que não tem. Então faz-se mister mobilizar aqueles que têm para aliviar a vida dos que não têm. Desta estratégia nasceu o assistencialismo e o paternalismo. Ajuda mas mantém o pobre dependente e à mercê da boa vontade dos outros. A solução tem respiração curta.A segunda interpreta o pobre como aquele que tem: tem força de trabalho, capacidade de aprendizado e habilidades. Importa formá-lo para que possa ingressar no mercado de trabalho e ganhar sua vida. Enquandra o pobre no processo produtivo, mas sem fazer uma crítica ao sistema social que explora sua força de trabalho e devasta a natureza, criando uma sociedade de desiguais, portanto, injusta. É uma solução que ajuda favorece o pobre, mas é insuficiente porque o mantém refém do sistema, sem libertá-lo de verdade.A terceira interpreta o pobre como aquele que tem força histórica mas força para mudar o sistema de dominação por um outro mais igualitário, participativo e justo, onde o amor não seja tão difícil. Esta estratégia é libertária. Faz do pobre sujeito de sua libertação. Paulo Freire, assumiu e ajudou a formular esta estratégia. É uma solução adequada à superação da pobreza. 76% dos jovens da rede municipal de ensino fundamental do Rio de Janeiro passam todos os dias pela banda larga e apenas 52% de seus professores utilizam a internet.
Falando aos participantes da assembleia plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais (CPCS), no Vaticano, o Papa Bento XVI disse que a cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e escutar uma linguagem simbólica que fale de transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar os elementos da cultura e do ambiente do seu tempo: as ovelhas, os campos, o banquete, as sementes e assim por diante. Hoje, somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ajudar a falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai. - João 1:14

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Esperança e Otimismo - Rubem Alves



“Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo. “Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.” Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível…” Otimismo é alegria “por causa de”: coisa humana, natural. Esperança é alegria “a despeito de”: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce…” Rubem Alves